Aquecimento global: causas, consequências e caminhos para o futuro

Entenda como as alterações no regime climático do planeta já estão gerando impactos para a população e para o meio ambiente.

Aquecimento global: causas, consequências e caminhos para o futuro

Entenda como as alterações no regime climático do planeta já estão gerando impactos para a população e para o meio ambiente.

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Publicado por
Jennifer Thomas 
October 29, 2024
7
min de leitura

Entender o que é aquecimento global se torna cada vez mais relevante. Afinal, ondas de calor, queimadas, enchentes e longos períodos de seca e eventos climáticos extremos se tornaram cada vez mais comuns no dia a dia da população.

Esses são alguns dos efeitos do aquecimento global, condição de aumento da temperatura média do planeta devido às ações humanas. Segundo a (WMO), 2024 foi o ano mais quente já registrado em 175 anos de medições, com a temperatura média global atingindo 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. Além disso, a década de 2015 a 2024 foi a mais quente da história.

"A história climática está se desenrolando diante de nossos olhos. Não tivemos apenas um ou dois anos recordes, mas uma série completa de dez anos. Isso foi acompanhado por eventos climáticos devastadores e extremos, aumento do nível do mar e derretimento do gelo, tudo impulsionado por níveis recordes de gases de efeito estufa devido às atividades humanas”, disse a Secretária-Geral da OMM, disse a

Eventos climáticos intensos, como as tempestades do Rio Grande do Sul, no Brasil, e o furacão Milton, nos Estados Unidos, são alguns exemplos de como as mudanças no clima afetam cada vez mais o cotidiano.

"Hoje, o aquecimento global gera impactos que podem ser sentidos por todos. Seus efeitos atingem a segurança alimentar e toda a economia global é impactada, com a redução de produtividade, o aumento de custos de saúde pública e a quebra de safra", diz a engenheira florestal e presidente da Aliança Brasil NBS, Janaína Dallan. Eventos climáticos intensos, como as tempestades do Rio Grande do Sul, no Brasil, e o furacão Milton, na Flórida, nos Estados Unidos, são alguns exemplos de como as mudanças no clima afetam cada vez mais o cotidiano.  

O que é aquecimento global?  

O aquecimento global é o fenômeno que se refere ao aumento da temperatura média do planeta por consequência das ações humanas, representadas pela maior emissão de gases de efeito estufa decorrentes principalmente da queima de combustíveis fósseis. A origem do aumento dessas emissões está atrelada à Revolução Industrial, período impulsionado pela invenção da máquina a vapor, movida a carvão mineral, que permitiu a transição do trabalho manual para o mecanizado e a produção econômica em larga escala.  

Ao longo de décadas, a queima desses combustíveis, como carvão mineral, gás natural e petróleo, liberou gases poluentes na atmosfera, sendo que o dióxido de carbono (CO2) é o principal responsável pelo aquecimento global.

Para definir aquecimento global com precisão científica, é essencial compreender que o nível de dióxido de carbono está atualmente 50% superior comparado à era pré-industrial, criando uma capacidade sem precedentes de retenção de calor na atmosfera.

 Esta mudança, de acordo com, organizadores do relatório especial do IPCC, marca a transição do Holoceno para o Antropoceno, uma nova era geológica onde a influência humana se tornou o principal agente de transformação planetária.

Atualmente, estima-se que a temperatura média do planeta esteja 1,3ºC acima de níveis pré-industriais, de acordo com o.

Quais são as consequências do aquecimento global?

As consequências do aquecimento global manifestam-se em múltiplas dimensões, afetando ecossistemas, economias e sociedades de forma interconectada. Os efeitos são de um planeta cada vez mais quente são sentidos de formas diferentes em cada local do mundo. Um importante parâmetro é a camada de gelo marinho no Ártico, que vem diminuindo ao longo dos anos. De acordo com um estudo publicado na revista , o gelo pode desaparecer por completo no verão já no ano de 2030 e, mesmo com cortes nas emissões, a região pode ficar sem gelo em outros verões da década de 2050.

Além do impacto no Ártico, o aquecimento global também provoca o derretimento de geleiras. Consequentemente, há o aumento do nível do mar, o que coloca cidades litorâneas e comunidades costeiras em risco – pequenas nações insulares do Pacífico, por exemplo, correm o risco de desaparecer por completo.  

Ondas de calor, estiagens prolongadas, tempestades, enchentes, entre outros eventos extremos, já estão mais frequentes e intensas. Com o aumento da temperatura do planeta, algumas regiões se tornarão inabitáveis, e outras precisarão ser remodeladas para se adaptarem a novos padrões climáticos, tornando ainda mais urgente o conhecimento sobre como combater o aquecimento global.

Os impactos vão além dos eventos climáticos extremos, penetrando profundamente na segurança alimentar, na saúde pública e na estabilidade econômica global.

Qual é a diferença entre aquecimento global e efeito estufa?  

Para manter a temperatura ideal para o desenvolvimento de vida e ser habitável, o planeta Terra tem, de forma natural, o efeito estufa. Gases presentes na atmosfera – os gases de efeito estufa – retêm parte da radiação infravermelha, que é sentida como calor, e a irradiam de volta para a superfície. Esse processo é essencial para a manutenção das condições ideais de vida no planeta, mas, com a emissão exagerada desses gases, o efeito se potencializou e aumentou a temperatura média do planeta, causando o aquecimento global.    

Quais são as causas do aquecimento global?

Atualmente, as causas do aquecimento global são diversas e estão presentes em todos os setores da economia. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a geração de energia ainda é a principal responsável pela emissão de gases poluentes. Além disso, no total, a queima de carvão, petróleo e gás natural representa cerca de 75% de todas as emissões globais, além de 90% das emissões de dióxido de carbono.  

No Brasil, de acordo com o (OC), a principal fonte de emissões é o desmatamento, que representa cerca de 49% do total do país. Na sequência, a agropecuária é responsável por 25% das emissões, o setor de energia responde por 18% e os processos industriais e a geração de resíduos respondem por 4% cada.

Leia também: O que é COP (Conferência das Partes) e sua importância para agenda climática

Impactos no meio ambiente

Os ecossistemas terrestres e marinhos enfrentam transformações aceleradas. De acordo com o, a extensão máxima de gelo na Antártida, medida em setembro de 2023, atingiu apenas 16,96 milhões de km², ficando 1,5 milhões de km² abaixo da média histórica e 1 milhão de km² menor que o recorde mínimo anterior.

No entanto, o degelo não é um fenômeno isolado. Como apontado pelo , a comunidade científica projeta que 6% dos insetos, 8% das plantas e 4% dos vertebrados devem perder mais da metade de sua área geográfica climaticamente determinada com um aquecimento de 1,5°C.

Ou seja, o aquecimento global provoca o derretimento de geleiras. Consequentemente, há o aumento do nível do mar, o que coloca cidades litorâneas e comunidades costeiras em risco. Por exemplo, pequenas nações insulares do Pacífico correm o risco de desaparecer por completo.

Neste contexto, os dados científicos mais recentes revelam que a taxa de elevação do nível do mar entre 2014-2023 foi duas vezes maior em comparação à primeira década de registros sistemáticos (1993-2002), evidenciando a aceleração do fenômeno.

Impactos na população

A dimensão humana da crise climática revela números preocupantes. O número de pessoas que sofrem insegurança alimentar aguda chegou a 333 milhões em 78 países monitorados pelo, estabelecendo uma correlação direta entre instabilidade climática e vulnerabilidade social.

Neste aspecto, as mudanças climáticas atuam como multiplicador da pobreza, tornando populações já vulneráveis ainda mais empobrecidas e aumentando a contagem absoluta de pessoas em situação de pobreza.

Em paralelo, dados do observatório europeu indicam que o verão de 2024 no Hemisfério Norte, que ocorreu entre julho e agosto, foi o mais quente desde o início das medições. Já no Hemisfério Sul, durante 2024, diversas ondas de calor atingiram diferentes regiões do Brasil. O calor extremo coloca em risco a saúde da população, principalmente a de idosos e de crianças, com a desidratação, problemas cardíacos, doenças respiratórias e problemas mentais.

Ainda, casos como os das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, no Brasil, em abril de 2024, e a Europa Central, em setembro de 2024, evidenciam como desastres ambientais têm impactos em todos os setores da sociedade; desde o alagamento de ruas e casas à destruição de comércios e ao fechamento de aeroportos.

Em contraste, análises do indicam que o Brasil está enfrentando a pior seca desde 1950, quando a atual série histórica teve início. Ou seja, fator que influencia tanto a qualidade de vida quanto os custos relativos à vida, devido ao impacto inflacionário e aumento no preço de alimentos.

A relação entre aquecimento global e mudanças climáticas

Enquanto o aquecimento refere-se especificamente ao aumento da temperatura média planetária, as mudanças climáticas abrangem todas as alterações nos padrões climáticos resultantes dele, como: 

  • Modificações nos regimes de chuvas
  • Intensificação de eventos extremos
  • Alterações nas correntes oceânicas e circulação atmosférica 

A relação é de causa e efeito, ou seja, o acúmulo de gases de efeito estufa eleva as temperaturas, que por sua vez desestabilizam sistemas climáticos estabelecidos há milênios.

Dados da World Meteorological Organization (WMO) confirmam que cada décimo de grau adicional amplifica exponencialmente a frequência e intensidade de eventos climáticos extremos,.

Neste contexto, com o aumento da temperatura do planeta, algumas regiões se tornarão inabitáveis, e outras precisarão ser remodeladas para se adaptarem a novos padrões climáticos, tornando ainda mais urgente o conhecimento sobre como combater o aquecimento global.

Fonte:

O que fazer para evitar o aquecimento global?

Combater o aquecimento global exige transformações sistêmicas sem precedentes em escala e velocidade.

Segundo o IPCC, limitar o aquecimento a 1,5°C requer transições rápidas e de longo alcance em sistemas energéticos, uso do solo, infraestrutura urbana e processos industriais. Estas transições não têm precedentes históricos em termos de escala e profundidade.

Do ponto de vista tanto individual quanto coletivo-social, várias práticas podem ser implementadas:  

  • Transição para fontes de energia renovável
  • Eficiência energética em edificações e processos industriais
  • Mudanças nos padrões de consumo e alimentação
  • Redução do desperdício
  • Proteção e restauração de ecossistemas naturais

Qual é a diferença entre aquecimento global e efeito estufa?

Para manter a temperatura ideal para o desenvolvimento de vida e ser habitável, o planeta Terra tem, de forma natural, o efeito estufa. Os gases presentes na atmosfera (os gases de efeito estufa) retêm parte da radiação infravermelha, sentida como calor, e a irradiam de volta para a superfície.

Esse processo é essencial para a manutenção das condições ideais de vida no planeta, mas, com a emissão exagerada desses gases, o efeito se potencializou e aumentou a temperatura média do planeta, causando o aquecimento global.

Compreender essa distinção é fundamental: o efeito estufa é um fenômeno natural e benéfico, sem o qual a Terra seria fria de uma maneira inabitável. O problema reside na intensificação desse efeito causada pelo ser humano, que desequilibra um sistema climático estável há milênios.

O aquecimento global é, portanto, a consequência mensurável do efeito estufa potencializado pelas atividades humanas, particularmente pela queima de combustíveis fósseis que libera quantidades massivas de CO2 e outros gases retentores de calor na atmosfera.

 Entendendo o que é aquecimento global, é válido conhecer ações para minimizá-lo. A tem uma série delas com objetivo de combater a crise climática. Saiba mais na página Clima.

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